após Centro Cultural São Francisco projeto vai reformar outras igrejas

30 de maio de 2024 Off Por

Cruzeiro do Centro Cultural São Francisco foi restaurado em primeiro estágio de obra de revitalização no projeto Caminhos da Fé – Foto: TV Cabo Branco.

Iniciado em 2023, o projeto Caminhos da Fé tem o objetivo de fazer um amplo trabalho de revitalização do complexo religioso barroco do Centro Histórico de João Pessoa. A iniciativa já reformou o cruzeiro do Centro Cultural de São Francisco, e vai ser expandido para pelos menos mais quatro igrejas.

As obras contam com verbas públicas e privadas. O projeto recebeu recursos originários de leis de incentivo à cultura. Empresários também se uniram para colaborar diretamente com a iniciativa. E a prefeitura de João Pessoa também confirmou repasse de recursos.

A primeira etapa do projeto foi focada no cruzeiro do Centro Cultural São Francisco, e já foi concluída. Também serão restaurados os seis nichos que narram os passos de Jesus e os detalhes em pedra calcária na parte de cima dos muros. Depois, os trabalhos se voltam para a fachada, para o relógio de sol e para a fonte de São Francisco.

Além disso, outros quatro locais vão passar por reformas:

  • Catedral Basílica Nossa Senhora das Neves
  • Mosteiro de São Bento
  • Igreja da Nossa Misericórdia
  • Igreja do Carmo

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Centro Cultural São Francisco

Muros do adro do Centro Cultural São Francisco estão sendo restaurados em projeto Caminhos da Fé – Foto: TV Cabo Branco.

O padre Marcondes Menezes, diretor do Centro Cultural São Francisco, o trabalho de restauração dos muros do adro do local já está em andamento.

Além disso, o padre também confirmou que está sendo pensado dentro do projeto Caminhos da Fé a intenção de estender as reformas para uma outra igreja que não estava prevista inicialmente dentro do que foi divulgado. Segundo o padre Marcondes, a potencial nova igreja é a de São Pedro Gonçalves.

“O objetivo é justamente contar a história da cidade de João Pessoa a partir desses monumentos coloniais. São monumentos que marcaram a cidade. Eles foram pensados desde o seu início, da fundação da cidade, com a implantação de cada igreja, de cada convento, e a partir daí a nossa equipe viu que era um projeto interessante, onde a gente pudesse contar a história da cidade, da fundação da Cidade, a partir dessas edificações religiosas”, disse o padre responsável pelo projeto.

Importância histórica das igrejas

Centro Cultural São Francisco é um dos primeiros a passar por reforma – Foto: Foto: Cácio Murilo/ MTur/ Acervo.

O historiador e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Ângelo Emílio ressaltou a importância da preservação e do trabalho do projeto Caminhos da Fé de revitalizar esses locais históricos.

“Um dos maiores, ou talvez, o maior agente urbano das cidades é a igreja católica, quer dizer, as paróquias, dioceses e principalmente a partir do clero regular, as ordens religiosas, particularmente no caso do Brasil, com os jesuítas, os beneditinos, os carmelitas e os franciscanos. Digamos que elas definem o espaço dos seus templos dentro da área urbana, e eles acabam se tornando vetores de urbanização”, disse.

Segundo o historiador, em João Pessoa, principalmente, a questão das igrejas serem fundamentais para o crescimento inicial das cidades e o desenvolvimento posterior delas foi um processo ainda mais arraigado.

“Se a gente perceber numa cidade como João Pessoa, há toda uma discussão efetiva de se ela tinha um traçado urbano planejado e regular, ou se é casual, mas a gente percebe um formato urbano que é orientado exatamente pela presença desses templos, eles são grandes definidores dessa configuração urbana”, ressaltou.

O historiador ainda ressaltou que diante de toda essa importância, a ação de restauração e cuidado é decisiva para manter a memória da cidade.

“Uma iniciativa de se fazer processos de conservação, restauro e eventual reforma dessas edificações, em princípio é bem-vinda. Evidentemente, obedece a critérios técnicos definidos a partir dos entendimentos com os patrimoniais e num diálogo com a cidade. Efetivamente, a gente precisa entender que esses prédios não existem como entidades singulares, eles interagem com o tecido urbano e, particularmente, com o seu entorno. Então há pessoas que circulam ali, que trabalham ali, que moram ali, e que é importante que essas pessoas, em alguma medida, sejam chamadas ao diálogo”, ressaltou.